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19/12/2012 - GRANDES MARCAS - BENTLEY

GRANDES MARCAS - BENTLEY Imagens e fotos de carro

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Essa semana mostraremos um pouco de nossa segunda grande marca. Design distinto, imponência britânica, acabamento luxuoso e detalhado, imagem forte e robusta, exclusividade e uma tradição praticamente imbatível no segmento de automóveis de luxo. A marca BENTLEY é muito mais que um automóvel de luxo, e seus proprietários, poucos privilegiados no mundo, são pessoas que dão valor não somente à performance e estilo, mas principalmente à tradição. É verdadeiramente um carro para poucos.

Uma das mais luxuosas e exclusivas marcas de automóveis do planeta nasceu pelas mãos do inglês Walter Owen Bentley, um engenheiro e aficionado por velocidade. Em 1905, com apenas 16 anos, foi trabalhar na divisão de locomotivas da companhia ferroviária britânica Great Northern Railway. Mas seria com os carros que W.O. Bentley, como era chamado, se tornaria reconhecido mundialmente. Sua saga começou em 1912, quando a família iniciou a importação de carros esporte da francesa DFP. E foi em uma visita à fábrica da DFP que ele teve uma ideia brilhante: ao ver um peso de papel feito em alumínio, pensou em desenvolver pistões desse material, para substituir os feitos de ferro fundido. A inovação de Bentley foi aplicada a motores radiais rotativos (em que giravam os pistões e o virabrequim ficava parado) de aviões da Primeira Guerra e mais tarde, chegou aos automóveis.
Walter Owen_Bentley
W.O.Bentley    

A tradicional e clássica BENTLEY MOTORS seria fundada somente no ano de 1919, na cidade de Londres, nascida da parceria de W.O. e seu irmão Henry. Já em seu primeiro ano produziu dois protótipos, EXP 1 e EXP 2, predecessores do 3-Litre, primeiro modelo oficial da montadora lançado em 1921. Os protótipos revolucionaram o mercado com o motor de 4 cilindros e 16 válvulas, com comando no cabeçote e pistões de alumínio. Para a época era um feito e tanto. Dois anos depois, o EXP 2 conquistou a primeira vitória da BENTLEY em competições esportivas numa prova em Brooklands. Os modelos esportivos chegavam a até 160 km/h, e para pará-los Bentley havia colocado freios nas quatro rodas (outra inovação à época). Esse lendário modelo ainda existe e pertence à fábrica. O EXP 1 foi destruído em um acidente nos anos 1920.

Com o 3-Litre, Bentley iniciou também sua história de sucesso em provas de automobilismo com o clássico símbolo do “B” alado. Ettore Bugatti, já famoso fabricante de carros esporte, respeitaria logo o aguerrido adversário, ainda que apelidando o 3-Litre de “a carroça mais rápida do mundo”. A consagração de Bentley viria em 1924, com a primeira vitória nas 24 horas de Le Mans.

Em 1925, anunciaria o lançamento de um novo carro: o 6 ½-Litre. Bentley fez modificações no bloco anterior e transformou-o em um 6 cilindros, mantendo as 4 válvulas com comando no cabeçote. Esse motor tinha quase 1.1 litro por cilindro. Sua potência chegava a mais de 200 cv. Uma versão esportiva viria em 1928, o Speed Six, que se tornaria o BENTLEY de maior sucesso nas pistas de corrida. A BENTLEY viria a tornar-se famosa pelas quatro vitórias consecutivas nas 24h de Le Mans de 1927 a 1930. Nesta época o seu maior competidor era a Bugatti, cuja elegância e também a fragilidade, contrastavam com a robustez e durabilidade da BENTLEY. 

Com a Grande Depressão, em 1931 a Rolls-Royce comprou a BENTLEY, que se destacava pela qualidade e potência de seus esportivos. Por décadas ambas fabricaram automóveis exclusivos, luxuosos e que se tornaram objetos de desejo, como o Bentley Mark VI, Continental R (1952) e o Bentley T Series (introduzido em 1965). Os automóveis BENTLEY ganharam fama pela sua performance esportiva e produção artesanal. Desde a mudança para a fábrica de Crewe, em 1946, a BENTLEY criou uma extensa linha de modelos esportivos com um padrão inigualável de qualidade. A fábrica permaneceu sob o comando da Rolls-Royce até 1998, quando ambas foram compradas pela Volkswagen, numa manobra comercial em que venceu a BMW, que fornecia motores para as marcas e detinha a licença de uso da marca Rolls-Royce. As montadoras alemãs entrariam em um acordo e a partir de 2002, a VW ficou com a BENTLEY, entregando a Rolls-Royce à BMW. Já sob o comando da Volkswagen, a BENTLEY voltaria a correr em Le Mans após 71 anos de ausência. Foi em 2001, com o EXP Speed 8, praticamente uma versão do Audi R8, vencedor da prova nas três edições anteriores. 
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Bentley EXP Speed 8

W.O. Bentley era um entusiasta do esporte a motor, mas nem sempre tinha disposição para enfrentar horas ao volante de um carro, o que ele fez pessoalmente algumas vezes. Surgiram, então, os chamados “Bentley Boys”, pilotos amadores, em sua grande maioria, aventureiros endinheirados que não corriam pelo pagamento, mas pelo amor ao esporte, e pela inegável prova de coragem. O primeiro deles foi John Duff, que não era exatamente rico, pretendia ser um concessionário BENTLEY. Mas esbanjava coragem e após algumas importantes vitórias, conquistou a tradicional prova de 1924 em Le Mans, tendo Frank Clement como seu co-piloto. Clement era responsável pelos “departamentos” de corrida e desenvolvimento da BENTLEY , sendo ele próprio o piloto de testes. O núcleo central dos “Bentley Boys” seria consolidado nos anos seguintes por Dr. Dudley Benjafield (“Benjy”, um médico bacteriologista), Clement, Bertie Kensington Moir e Sammy Davies, editor de esporte da centenária revista inglesa Autocar. A esse grupo juntou-se Woolf Barnato, rico explorador de diamantes na África do Sul. Na verdade, as corridas eram a segunda atividade de Barnato na fábrica inglesa.
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"Bentley Boys"
 
Em 1926 a BENTLEY atravessava intensas dificuldades financeiras e W.O. que a despeito de ser um ótimo engenheiro, era mau administrador e vendeu parte da montadora a Woolf Barnato, que assumiu a maioria acionária e a presidência. O fundador permaneceu como diretor administrativo. Nesta época ele começou a trabalhar numa versão de maior cilindrada do 3-Litre, o 4 ½-Litre. Então surge outro “Bentley Boy”, o inglês Henry “Tim” Birkin, tido como um dos melhores pilotos da Inglaterra até hoje. Após guiar o 4 ½-Litre em provas na Irlanda, França e Alemanha, Tim Birkin obteve a permissão de Woolf Barnato para fazer algumas melhorias no carro. Contrariando W.O. Bentley, que não admitia qualquer tipo de sobrealimentação em seus carros (ele gostava da frase “there’s no replacement for displacement”, algo como “não há substituto para cilindrada”), Birkin instalou um compressor no 4 ½-Litre, criando um dos mais interessantes carros de corrida da história, o Blower Bentley. Mas o “Blower” sofria com a falta de durabilidade, e as quebras o impediram de conquistar maiores vitórias. Isso, no entanto, não o impediu de se tornar o carro de James Bond nos livros originais. Suas incursões em Le Mans foram sempre emocionantes. Como na prova de 1930, em que a BENTLEY bateu a equipe Mercedes com o lendário piloto Rudi Caracciola, conquistando sua 5ª vitória na prova. Depois da vitória, a BENTLEY anunciou sua retirada das pistas.
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Blower Bentley 

É na cidade de Crewe, interior da Inglaterra, que desde 1946, estão reunidas todas as operações da BENTLEY, em uma instalação fabril com mais de 60 anos de existência, que acolhe quatro mil trabalhadores (500 deles nas áreas do design e engenharia), produz anualmente dez mil automóveis (a produção é toda vendida) e onde passado, presente e futuro convivem de forma quase única. Não existem muitos locais no planeta onde, lado a lado (embora em linhas de produção distintas), seja produzido um modelo com o nível de modernidade do Continental (nas suas várias versões) e outros quase artesanalmente, como o Arnage, o Azure e o Brooklands. Se no primeiro caso, o nível de automatização é relativamente elevado, no segundo boa parte do processo de fabricação é manual, ou, pelo menos recorrendo a processos e técnicas convencionais, essencial para permitir o grau de personalização que sempre foi uma das características mais fortes de seus automóveis.
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Fábrica em Crewe

Conhecer de perto as seções onde são tratados e aplicados os revestimentos em pele é uma experiência única. Nada menos do que seis tipos de madeira estão disponíveis, e nesta área (que alguém carinhosamente define como “a maior marcenaria do mundo”) convivem máquinas modernas de corte a laser com processos e maquinário com 60 ou mesmo 80 anos de idade. Tal como no caso das peles, a maioria provém da Escandinávia, cerca de 11 peças completas e 12 horas são necessárias para forrar um modelo Continental; número que se eleva para 17 a 25 peças no caso do Arnage, dependo do grau de personalização pretendido pelo cliente.

A exclusiva marca Bentley vende seus automóveis em mais de 90 países ao redor do mundo, tendo na América do Norte (seu maior mercado, absorvendo 45% da produção), Europa e principalmente Oriente Médio como seus maiores mercados. Atualmente a marca é representada por mais de 210 concessionárias no mundo inteiro.

Fotografias de todos os modelos da BENTLEY estão disponíveis em nossa galeria.   

Autor: PlanetCarsZ