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13/04/2018 - OPEL GT FAZ 50 ANOS: UMA HISTÓRIA BEM SUCEDIDA COM CINCO ANOS DE PRODUÇÃO

OPEL GT FAZ 50 ANOS: UMA HISTÓRIA BEM SUCEDIDA COM CINCO ANOS DE PRODUÇÃO Imagens e fotos de carro

“Nur fliegen ist schöner” - “Só voar é mais divertido”, em uma tradução livre, foi o célebre ‘slogan’ publicitário que acompanhou o lançamento do Opel GT há exatamente 50 anos. Este esportivo icônico da Opel entrou para a história graças a várias inovações que marcaram a indústria na época. Para assinalar a data, a Opel preparou um programa completo de comemorações que começa em maio com a participação na feira alemã de automóveis clássicos ‘Bodensee-Klassik’.

Experimental GT: a ousadia dos ‘designers’ da Opel

Pois bem, a lenda Opel GT inicia-se com um ‘big bang’ no Salão de Frankfurt de 1965. A grande estrela do estande da Opel é um irreverente modelo esportivo de dois lugares com perfil muito esguio, nariz baixo, faróis escamoteáveis, para-lamas salientes e traseira curta. Até então, nenhum fabricante europeu se atrevera a realizar algo semelhante. Na verdade, o Experimental GT era o primeiro ‘concept car’ apresentado por uma marca alemã. A Opel classificou-o como um estudo de automóvel de elevadas performances. A autoria era de Erhard Schnell e da sua equipe de designers, que haviam estreado, poucos meses antes, o novíssimo ‘Styling Studio’ da marca em Rüsselsheim - o primeiro centro de design de um fabricante de automóveis na Europa.

Erhard Schnell lembra-se bem de que o desenvolvimento do Experimental GT aconteceu sob grande segredo. “No começo era apenas um projeto de estilo. O meu chefe não tinha dito nada à administração, mas quando se aproximou a conclusão do trabalho teve que comunicar. Estávamos apreensivos porque era a primeira vez que mostrávamos aquela nossa criação tão irreverente. Mas o receio durou pouco, porque todo mundo aplaudiu espontaneamente. Ficaram verdadeiramente entusiasmados”, explica Schnell com um sorriso aberto.

A ousadia foi plenamente recompensada no Salão de Frankfurt desse ano. Tanto a imprensa como o público renderam-se às linhas do Experimental GT e teceram grandes elogios ao avanço da Opel. Na verdade, ninguém esperava por parte da marca um modelo esportivo tão radical. A entusiástica recepção foi motivo suficiente para que a passagem à produção recebesse luz verde. Decorridos seis anos sobre o primeiro esboço e apenas três sobre essa decisão, a primeira unidade Opel GT saía da linha de montagem. Corria o ano de 1968.

Friedhelm Engler, atual Diretor de Design Exterior da Opel, considera a iniciativa dos seus antigos colegas “muito arrojada. Foi quase uma traquinagem propor um protótipo com motor dianteiro-central, inspirado no Kadett B. Em vez de trabalharem em uma roupagem sobre uma mecânica de produção em massa, tiveram a coragem de fazer algo totalmente radical - um verdadeiro Gran Turismo. E o resultado é História.”

O Opel GT é um dos primeiros exemplos de colaboração franco-alemã. Na sequência de outros projetos em conjunto, a Opel encarregou os fabricantes franceses de carrocerias Chausson e Brissoneau & Lotz das operações de estamparia, solda e pintura, bem como da instalação do habitáculo do GT. As unidades eram depois enviadas para a Alemanha para montagem final, junto com os componentes de chassi e do conjunto motor/transmissão.

O Opel GT oferecia duas motorizações como opção. O mais acessível 1.1 tinha origem no modelo Kadett e entregava 60 cv de potência. O outro era o mais potente 1.9, com 90 cv, oriundo do Rekord. O GT 1900 ganhou rapidamente grande popularidade graças a um desempenho de destaque para a época, como a velocidade máxima de 185 km/h e a aceleração de 0 a 100 km/h em 11,5 segundos. A potência era enviada para as rodas traseiras através de uma transmissão manual de quatro velocidades. Na Europa, muito poucos clientes encomendaram a transmissão automática de três velocidades, que era muito mais requisitada do outro lado do Atlântico, para onde a Opel também exportou o GT.

Revolucionário, por fora e por dentro

O formato do GT de produção era consideravelmente diferente do protótipo de 1965. Na realidade, tinha aparência ainda mais musculosa. A frente surgia mais larga e a projeção dianteira era mais curta. A protuberância para contornar os componentes do sistema de alimentação do motor permitiu manter a linha muito baixa do capô. Mas os recortes retangulares dos faróis do protótipo foram substituídos por molduras arredondadas que contribuíam para dar ao GT uma aparência ainda mais original.

A carroceria muito baixa e as linhas elegantes do Opel GT levaram em conta o desempenho aerodinâmico em alta velocidade nas autoestradas alemãs. Mas esse design, que tornava o modelo tão especial, de repente tornou-se um problema - o GT não podia ser disfarçado, ou seja, a Opel logo teve que ‘abrir o jogo’ porque não havia camuflagem que escondesse a sua existência durante os habituais testes de estrada da fase pré-produção.

Assim como o exterior, o interior do Opel GT era muito avançado para a época. Chamavam imediatamente a atenção os bancos tipo ‘bucket’, o belíssimo volante de três raios e os mostradores redondos. Ainda hoje, o ambiente e a ergonomia de automóvel esportivo desse Opel não deixa ninguém indiferente. Entretanto, apesar da emoção implícita ao GT, os designers não deixaram de contemplar os mais avançados sistemas de segurança da época, como cintos de segurança de três pontos, estrutura de teto reforçada, proteção contra impactos laterais e coluna de direção telescópica.

Vitórias e recordes

Com baixo centro de gravidade, estrutura rígida e suspensão evoluída, o GT era um automóvel ideal para corridas. Entre muitos sucessos contam-se as vitórias obtidas pelos Opel GT preparados pela escuderia italiana Conrero em provas de longa distância, no início dos anos 1970.

Em 1971, Georg von Opel, neto do fundador da Opel, decidiu elaborar uma versão GT com motorização elétrica, capaz de atingir velocidades na ordem de 190 km/h, vindo a estabelecer vários recordes mundiais.

Em junho de 1972 a Opel construiu um GT com motor diesel que fixaria dois recordes mundiais e 18 recordes internacionais em provas realizadas no centro de testes da Opel em Dudenhofen. Um desses impressionou: velocidade de 197 km/h em apenas 1.000 metros era algo inédito para um motor diesel. O designer do GT, Erhard Schnell, lembra como esse GT tinha um perfil ainda mais baixo. “Não tínhamos orçamento ilimitado, então decidimos pegar um dos protótipos de estudo para um conversível e cortamos o para-brisa…”

No Salão de Frankfurt de 1969, a Opel apresentou o protótipo Aero GT com vidro vigia traseiro que baixava eletricamente e teto removível. Por muito que este fosse um modelo de sonho para os adeptos dos conversíveis, o projeto não passou da fase de estudo de design.

O Opel GT esteve em produção até 1973. Com um elevado desempenho dinâmico, um design exclusivo e um preço acessível, a popularidade do GT superou todas as expectativas. A produção alcançou um total de 103.463 unidades em apenas cinco anos. O radical Opel GT teve clientes apaixonados na Europa e nos Estados Unidos. Alguns ainda mantêm os seus automóveis e participam em encontros de carros clássicos. Atualmente, um dos muitos proprietários do Opel GT é o ator Ken Dukan, que não hesita em afirmar que “o slogan estava errado. Voar não é tão divertido.”


Autor: PlanetCarsZ