BENTLEY SSS C2

1965 - BENTLEY SSS C2

BENTLEY SSS C2 imagens e fotos de carros

Em seus primeiros anos de existência, a Bentley esteve fortemente ligada ao mundo da competição. Hoje em dia ainda são lembradas aquelas primeiras cinco vitórias da marca britânica nas 24 Horas de Le Mans, a maioria delas vencida pelos célebres Bentley Boys. No entanto, no início da década de 30 a Rolls-Royce adquiriu a marca de Crewe, eliminando toda possibilidade de que a marca voltasse aos circuitos, apesar do excelente currículo esportivo obtido na década anterior, devido à política da Rolls-Royce de nunca entrar em competições.

Portanto, até que a Bentley fizesse parte do Grupo Volkswagen em 1998, os verdadeiros artífices da vitória da marca britânica em Le Mans 2003, a Bentley esteve proibida de pisar oficialmente nos circuitos ou fabricar veículos destinados à competição durante cerca de 70 anos, salvo o modelo que aparece nas imagens, o que o torna em um dos modelos mais raros e especiais da marca fundada por Walter Owen Bentley, que nunca teve o lugar merecido na história da empresa.

Era o ano de 1965, quando a Rolls-Royce decidiu fabricar dois chassis para dois veículos de exibição e apresentar a nova geração dos Rolls-Royce Silver Shadow e seu irmão gêmeo Bentley T-Series de 1966. No entanto, um desses dois chassis não chegou a tornar-se o show car que deveria ter sido.

Foi o próprio diretor de Marketing da Rolls-Royce na época, John Craig, quem em segredo, vendera esse segundo chassi a Barry Eastick, do Bentley Drivers Club, para desenvolver um veículo de corridas, contradizendo gravemente a norma interna da Rolls-Royce.

O novo modelo foi desenhado por Alan Padgett, o lendário designer da Bentley, e a carroceria de alumínio foi construída pela especialista britânica de monolugares Lyncar Engineering. O motor escolhido foi o V8 de alumínio de cárter seco e 6.23 litros da Rolls-Royce, que foi disposto curiosamente em posição central, mas na frente do cockpit, ao contrário do que era comum já há alguns anos nas competições internacionais.

As formas do monolugar ficaram um pouco maiores do que era habitual nessa época e para este tipo de modelo. A carroceria, ao mesmo tempo em que dispunha da forma pura e tradicional, contava com todas suas superfícies planas, desenhando em sua parte transversal um retângulo com suas arestas arredondadas e o pequeno cockpit tampouco ficava centrado, mas deslocado à direita como se fosse um dois lugares.

Curiosamente, esse veículo não foi construído exclusivamente para a competição, já que foi concebido para ser utilizado também nas estradas, de uma maneira similar ao que representam modelos como o BAC Mono, veículos que podem ser licenciados e desenvolvidos com tecnologia de competição. Por isso, tinha duas configurações mecânicas, alimentado por carburadores para estrada e acrescentando carburadores duplos e um compressor para a configuração de corridas.

Esse protótipo único, de chassi número 2 SSS C-2, foi utilizado durante anos no Reino Unido, tanto em estradas como em competições, sem entrar em competições de relevância. Nos últimos tempos esteve à venda sem sucesso nos Estados Unidos, no concessionário da marca Gateway Classics Cars, na Flórida, com uma etiqueta de preço perto dos 2 milhões de dólares, de onde são as imagens do modelo mostradas abaixo.

Neste último final de semana foi uma das peças mais raras do leilão da Russo and Steele em Monterey. Sua condição de veículo realizado em parte de maneira externa à marca, condicionou gravemente sua importância histórica e, portanto, sua valorização como clássico. Apesar de ser evidentemente uma peça única desenvolvida a partir do chassi de um Bentley T-Series e o motor V8 da marca britânica, o modelo nunca teve a devida consideração por parte da história, tornando-se uma mera curiosidade do legado da marca de Crewe.