MASERATI 420 M 'ELDORADO'

1958 - MASERATI 420 M 'ELDORADO'

MASERATI 420 M 'ELDORADO' imagens e fotos de carros

Célebre por ter sido em 1958 o primeiro monolugar na Europa a ser patrocinado por uma marca não vinculada ao mundo do automobilismo - a dos sorvetes Eldorado -, o Masearti Eldorado é o primeiro exemplo do patrocínio moderno, em que o veículo assumiu as cores da empresa parceira, abandonando as cores tradicionais que a Federação Internacional atribuía a cada país. Algo que representou uma autêntica revolução, de vital importância para o futuro do esporte motorizado, por ter aberto as portas a novos patrocinadores.

O veículo foi encomendado à Maserati por Gino Zanetti, proprietário da empresa de sorvetes Eldorado. Zanetti queria promover sua marca a nível internacional, e dirigiu-se à marca do Tridente para construir um monolugar para competir em Monza no ‘Trofeo dei due Mondi’: o Automóvel Clube de Itália tinha organizado no circuito da Lombardia uma prova de 500 Milhas, como as de Indianápolis, com a participação dos melhores pilotos americanos e europeus.

O Maserati 420/M/58, chassi nº 4203, foi integralmente decorado em um tom branco com detalhes em vermelho. Dois logotipos pretos, com o nome Eldorado em grandes dimensões, estavam colocados em ambos os lados do habitáculo, enquanto outros dois, menores, estavam colocados na parte dianteira e sob o pequeno defletor que servia como para-brisas. O logotipo com a cara do cowboy sorridente estava colocado ao centro do ‘nariz’ e de ambos os lados da aleta traseira. Sob as duas marcas laterais Eldorado constava, em vermelho, a palavra Itália para sublinhar tanto a nacionalidade do patrocinador como a do fabricante do carro de corridas. No longo perfil do ‘Eldorado’ naturalmente, havia também espaço para o nome do piloto: Stirling Moss, um dos maiores campeões da história do automobilismo, então piloto oficial da Maserati.

No ano anterior, em 1957, a Maserati havia vencido o Campeonato Mundial de F1 com Juan Manuel Fangio, após o que decidiu retirar-se da competição e apenas fabricar carros de corridas a pedido de clientes privados, fornecendo a respectiva assistência. Dessa forma, reuniam-se as condições ideais que o empresário italiano procurava, e foi precisamente esse o motivo pelo qual Zanetti se dirigiu à Maserati.

Em poucos meses, o engenheiro Giulio Alfieri apresentou o ‘Eldorado’. O motor, derivado do oito cilindros que havia equipado os 450 S twin cam, possuía uma cilindrada reduzida para 4.190 cc, oferecendo uma potência de 410 cv às 8.000 rpm; este propulsor estava montado defasado em nove centímetros para a esquerda do eixo longitudinal, assim como a transmissão. Essa solução era adotada para garantir a adequada distribuição do peso, tendo em conta o sentido da marcha anti-horário nas sobre-elevadas curvas de Monza.

A transmissão contava com apenas duas relações, enquanto que o eixo posterior, do tipo De Dion, não dispunha de diferencial. O chassi tubular derivava do tantas vezes vitorioso 250 F, embora tivesse sido redimensionado pelos inúmeros reforços introduzidos para permitir ao bólido resistir às exigências do pavimento de cimento do traçado de Monza.

Para reduzir o peso, foram introduzidos discos de freio em magnésio Halibrand e pneus Firestone de 18 polegadas, com bandas de rodagem trançadas e cheio com hélio. Com essas adaptações, o veículo chegava aos 758 quilos. A carroceria de alumínio, feita à mão pela Fantuzzi, era caracterizada por uma aleta aerodinâmica vertical colocada atrás do habitáculo, e por uma entrada de ar frontal para os carburadores.

Em 29 de junho de 1958 aconteceu no autódromo de Monza a corrida de três fases que decidiria a classificação final. Esta decisão de formato foi tomada para motivar os fabricantes europeus a apresentar os seus próprios veículos, os quais, originalmente, não tinham sido concebidos para disputar uma competição tão prolongada e comprometedora para a mecânica. Na primeira fase, Moss chegou em 4º. Na segunda fase, foi 5º. Contudo, na última fase, a coluna da direção partiu-se e o seu Maserati terminou a corrida batendo no guard-rail, acabando com as esperanças do piloto britânico de terminar a corrida no terceiro lugar absoluto. Com base nos resultados das três fases, e do número total de voltas realizadas, Moss terminou na sétima posição. Saiu incólume do acidente e nem sequer o ‘Eldorado’ sofreu grandes danos, demonstrando uma grande solidez estrutural.

Apesar do êxito em termos de público e de espetáculo, as 500 Milhas de Monza não tiveram continuação nos anos seguintes. O ‘Eldorado’ foi modificado pelo encarroçador Gentilini, abandonando a aleta traseira e reduzindo a saída de ar sobre o capô para poder ser inscrito nas 500 Milhas de Indianápolis no ano de 1959.

Nessa ocasião foi repintado de vermelho, a cor da Itália nas competições, mas mantendo o patrocinador Eldorado através de duas inscrições em branco nas laterais, junto com o logotipo do cowboy num círculo branco no nariz e na traseira. A pouca experiência do gentleman-driver Ralph Liguori não permitiu a sua classificação, ao estabelecer o 36° tempo, além dos primeiros 33 que constituíam o limite da grade de partida. Com um profissional ao volante, o resultado teria sido outro. Mas isso é uma outra história.

A corrida das Indy 500 foi era cara para a Maserati, que a venceu nos anos de 1939 e 1940 com o piloto Wilbur Shaw, pilotando um 8CTF. Shaw quase ganhou o tricampeonato em 1941, ao ser obrigado a retirar-se devido a uma ruptura em uma roda na última volta, quando se encontrava na liderança. A marca do Tridente é o único fabricante italiano que venceu no circuito de Indiana, e a única marca europeia a ter vencido duas edições consecutivas.

O Maserati ‘Eldorado’, perfeitamente recuperado na sua linha original em branco, encontra-se atualmente em Modena, pertencendo à Coleção Panini.

Principais caraterísticas técnicas:



02/07/2018

MASERATI 420 M ELDORADO: UM CLÁSSICO COMEMORA 60 ANOS